Entenda a argumentação no Enem!

A estrutura argumentativa aparece em muitas questões da prova do Enem. Vejamos como isso acontece!


Você sabia que os elementos da argumentação podem aparecer na constituição da questão em suas três partes: texto(s), comando e alternativas?


Tendo por base alguns elementos constitutivos da argumentação, analisaremos três deles: Dado, Justificativa e Conclusão. 

Fonte: Stephen Toulmin.Os usos do Argumento. São Paulo: Martins Fontes

Acompanhe a explicação passo a passo


– É o conjunto de Dados, ou seja, de fatos, indícios, informações etc., que o argumentador toma como ponto de partida para o seu raciocínio.

C – É a Conclusão a que o argumentador quer chegar, ou seja, a tese que pretende defender, em relação aos dados usados como base para o artigo.

J – É o conjunto de Justificativas, ou seja, de argumentos propriamente ditos, que o argumentador reúne e analisa com o objetivo de sustentar a conclusão ou tese.

Os Dados, a Conclusão e a Justificativa compõem o núcleo de uma argumentação. Em muitos casos, o raciocínio resume-se a eles. 

Analise de uma questão do Enem

Muitas vezes, o comando já traz uma conclusão do texto. Solicita-se que o candidato, então, justifique-a por meio de uma das alternativas. Exemplo: 


Questão 112 - prova Azul
Jogar limpo
Argumentar não é ganhar uma discussão a qualquer preço. Convencer alguém de algo é, antes de tudo, uma alternativa à prática de ganhar uma questão no grito ou na violência física – ou não física. Não física, dois pontos. Um político que mente descaradamente pode cativar eleitores. Uma publicidade que joga baixo pode constranger multidões a consumir um produto danoso ao ambiente. Há manipulações psicológicas não só na religião. E é comum pessoas agirem emocionalmente, porque vítimas de ardilosa – e cangoteira – sedução. Embora a eficácia a todo preço não seja argumentar, tampouco se trata de admitir só verdades científicas – formar opinião apenas depois de ver a demonstração e as evidências, como a ciência faz. Argumentar é matéria da vida cotidiana, uma forma de retórica, mas é um raciocínio que tenta convencer sem se tornar mero cálculo manipulativo, e pode ser rigoroso sem ser científico.
No fragmento, opta-se por uma construção linguística bastante diferente em relação aos padrões normalmente empregados na escrita (Conclusão)Trata-se da frase “Não física, dois pontos” (Dado)Nesse contexto, a escolha por se representar por extenso o sinal de pontuação, que deveria ser utilizado, (buscas-se a Justificativa)
(A) enfatiza a metáfora de que o autor se vale para desenvolver seu ponto de vista sobre a arte de argumentar.
(B) diz respeito a um recurso de metalinguagem, evidenciando as relações e as estruturas presentes no enunciado.
  1. (C) é um recurso estilístico que promove satisfatoriamente a sequenciação de ideias, introduzindo apostos exemplificativos.
  2. (D) ilustra a flexibilidade na estruturação do gênero textual, a qual se concretiza no emprego da linguagem conotativa.
  3. (E) prejudica a sequência do texto, provocando estranheza no leitor ao não desenvolver explicitamente o raciocínio a partir de argumentos.
RESPOSTA: É um recurso estilístico do autor para chamar a atenção do leitor (C).

Conclusão

Não é só dessa maneira que as questões revelam os elementos da argumentação em sua formulação. A ordem dos elementos podem mudar em cada questão! Muitas vezes, por exemplo, a conclusão pode ser solicitada nas alternativas. Seria interessante você, candidato, também analisar como os elementos fundamentais da argumentação aparecem, e de que maneira aparecem, nas questões do ENEM!

Falaremos um pouco mais sobre os Elementos da Argumentação em um post sobre redação! Aguardem!


Marilisa Cardoso