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Análise Sintática Fuvest e Enem


Na prova da FUVEST é muito comum questões com excertos literários solicitando análise sintática. No ENEM, geralmente, espera-se que o vestibulando justifique elementos gramaticas apresentados em textos. Nas duas, conteúdos previstos na norma que são solicitados.



Vamos à prática?

Compare as questões sobre o tema em ENEM (2013) e FUVEST (2015):

1.   1) Leia e analise a questão 121 do Enem 2013 (caderno amarelo) observando o que se pede sobre o Sujeito:

COMANDO:
Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:

TEXTO
“Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.” 
RODRIGUES. S. Sobre palavrasVeja, São Paulo, 30 nov. 2011.
ALTERNATIVAS
(A) “[...] a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas.”
(B) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe [...]”.
(C) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava ‘influência dos astros sobre os homens’.”
(D) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper [...]”.
(E)  “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”

2) Analise a questão 25 da Fuvest 2015:

TEXTO
Tornando da malograda espera do tigre, alcançou o capanga um casal de velhinhos, que seguiam diante dele o mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios particulares. Das poucas palavras que apanhara, percebeu João Fera que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça. Mas chegará, homem? perguntou a velha. Há de se espichar bem, mulher! Uma voz os interrompeu: Por este preço dou eu conta da roça! Ah! É nhô João! Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham por homem de palavra, e de´ fazer o que prometia. Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que estava destinado para o roçado. Acompanhou-os João Fera; porém, mal seus olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, que sem mais deu costas ao par de velhinhos e foi-se deixando-os embasbacados. (José de Alencar, Til. * )
moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito)


Considere os seguintes comentários sobre diferentes elementos linguísticos presentes no texto:

I.Em “alcançou o capanga um casal de velhinhos” (L. 1-2), o contexto permite identificar qual é o sujeito, mesmo este estando posposto.
II. O verbo sublinhado no trecho “que seguiam diante dele o mesmo caminho” (L. 2-3) poderia estar no singular sem prejuízo para a correção gramatical.
III. No trecho “que destinavam eles uns cinquenta mil-réis” (L. 5), pode-se apontar um uso informal do pronome pessoal reto “eles”, como na frase “Você tem visto eles por aí?”.

Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.                        
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e III. 


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Enem
Fuvest
Textos das questões



Desenvolvimento do comando e alternativas



Conhecimentos prévios necessários em gramática



Nível de dificuldade


Conclusões






Comentários

Na questão do ENEM, a letra E configura-se como a correta, pois "fizesse" tem sujeito elíptico pode ser compreendido por coesão na retomada do termo "o segundo vocábulo".

Na questão da Fuvest, a letra D mostra-se correta, pois, na Alternativa I, o sujeito é "o capanga" e está posposto ao verbo. Na II, "seguiam" estaria correto no singular, pois também pode concordar com "casal", núcleo do sujeito. Na III, única incorreta, está na ordem inversa da língua, em que poderíamos tem "eles que destinavam", e na justificativa da alternativa a colocação é inadequada, pois "eles" está na posição de objeto, não devendo estar representado por pronome do caso reto.

Marilisa Cardoso Bernardi