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A argumentação no ENEM




A estrutura argumentativa aparece em muitas questões da prova do Enem. Vejamos como isso acontece?




Além de apresentar textos do gênero, o exame prioriza os elementos da argumentação que podem ser observados na própria elaboração e constituição da questão em suas três partes: Texto(s), comando e alternativas.


Tendo por base alguns elementos constitutivos da argumentação, analisaremos três deles: DADO, JUSTIFICATIVA E CONCLUSÃO. 
(Fonte: Stephen Toulmin.Os usos do Argumento. São Paulo: Martins Fontes)

Acompanhe a explicação passo a passo: 

D – É o conjunto de Dados, ou seja, de fatos, indícios, informações etc., que o argumentador toma como ponto de partida para o seu raciocínio. No texto, os dados dos quais o articulista (Renato Janine Ribeiro) parte para desenvolver seu artigo são os fatos citados no primeiro parágrafo, que evidenciam a grande atenção dada pela sociedade à chamada “corrupção cultural”. 

C – É a Conclusão a que o argumentador quer chegar, ou seja, a tese que pretende defender, em relação aos dados usados como base para o artigo. Renato Janine Ribeiro, por sua vez, quer nos levar à conclusão de que “precisamos evitar que a necessária indignação com as micro-corrupções ‘culturais’ nos leve a ignorar a grande corrupção”. 

J – É o conjunto de Justificativas, ou seja, de argumentos propriamente ditos, que o argumentador reúne e analisa com o objetivo de sustentar a conclusão ou tese. No artigo de Janine, os principais argumentos são: o caráter antirrepublicano de toda corrupção e as características mais nocivas e de mais difícil combate da corrupção organizada. 

Os DADOS, a CONCLUSÃO e a JUSTIFICATIVA compõem o núcleo de uma argumentação. Em muitos casos, o raciocínio resume-se a eles. Veja, como exemplo, uma argumentação contrária à transposição das águas do rio São Francisco. 

Diante do projeto do governo federal de transpor as águas do rio São Francisco (D), quero dizer que isto seria um crime ambiental (C). A atual vazão do rio, drasticamente diminuída por seu crescente assoreamento, não suportará o bombeamento de águas previsto (J). 

ANÁLISE DAS QUESTÕES:

Muitas vezes, a o comando aparece como uma CONCLUSÃO do texto. Solicita-se que o candidato JUSTIFIQUE por meio de uma das alternativas. Exemplo: 

Questão 112 - prova Azul

Jogar limpo
Argumentar não é ganhar uma discussão a qualquer preço. Convencer alguém de algo é, antes de tudo, uma alternativa à prática de ganhar uma questão no grito ou na violência física – ou não física. Não física, dois pontos. Um político que mente descaradamente pode cativar eleitores. Uma publicidade que joga baixo pode constranger multidões a consumir um produto danoso ao ambiente. Há manipulações psicológicas não só na religião. E é comum pessoas agirem emocionalmente, porque vítimas de ardilosa – e cangoteira – sedução. Embora a eficácia a todo preço não seja argumentar, tampouco se trata de admitir só verdades científicas – formar opinião apenas depois de ver a demonstração e as evidências, como a ciência faz. Argumentar é matéria da vida cotidiana, uma forma de retórica, mas é um raciocínio que tenta convencer sem se tornar mero cálculo manipulativo, e pode ser rigoroso sem ser científico.
No fragmento, opta-se por uma construção linguística bastante diferente em relação aos padrões normalmente empregados na escrita (CONCLUSÃO). Trata-se da frase “Não física, dois pontos” (DADO). Nesse contexto, a escolha por se representar por extenso o sinal de pontuação, que deveria ser utilizado, (JUSTIFICATIVA)
  1. A
     
    enfatiza a metáfora de que o autor se vale para desenvolver seu ponto de vista sobre a arte de argumentar.
  2. B
     
    diz respeito a um recurso de metalinguagem, evidenciando as relações e as estruturas presentes no enunciado.
  3. C
     
    é um recurso estilístico que promove satisfatoriamente a sequenciação de ideias, introduzindo apostos exemplificativos.
  4. D
     
    ilustra a flexibilidade na estruturação do gênero textual, a qual se concretiza no emprego da linguagem conotativa.
  5. E
     
    prejudica a sequência do texto, provocando estranheza no leitor ao não desenvolver explicitamente o raciocínio a partir de argumentos.
RESPOSTA: É um recurso estilístico do autor para chamar a atenção do leitor (C).

CONCLUSÃO


Não é só dessa maneira que as questões revelam os elementos da argumentação na formulação das questões. É interessante você, candidato, também analisar como os elementos fundamentais da argumentação aparecem - e de que maneira aparecem - nas questões do ENEM!

Bons estudos!

Escrito por Marilisa Cardoso.