Social Icons

Nova série: Gramaticando

Por que os alunos têm tanta dificuldade nos conteúdos de gramática? Por que, muitas vezes, memorizam as regras e não conseguem aplicá-las ou analisá-las em um contexto? Essas e outras questões serão trabalhadas nos posts de Gramaticando: por uma gramática mais reflexiva






Na prática pedagógica, como professora de aulas de reforço escolar, percebo que grande parte dos alunos sabe os conceitos de gramática, mas não consegue analisá-los ou aplicá-los em um contexto significativo de uso. Se gramática também requer reflexão e interpretação, então esse também é um ótimo conteúdo para este blog!


Gramática não é a pura e simples memorização do conceito, das regras e exceções à regra! Gramática é a prática e ação do estudante (sujeito) em relação aos conteúdos trabalhados na escola. É saber entendê-los e aplicá-los de forma madura e reflexiva. Sobre isso até fiz um poema:


Aulinha de Português

O sujeito

Não é objeto
Mas, às vezes,
É indeterminado

'Cadê o sujeito?'

Não sei.
Deve estar aqui,
em algum lugar.

Onde?

'Não decorou a regra?'
Sim,
mas não acho o sujeito.
'Então, mexa-se,
vá ver onde ele está!'

                             Marilisa Cardoso



O poema ilustra justamente o fato do aluno saber a regra, mas não saber aplicá-la na prática. O duplo sentido da palavra sujeito (conteúdo gramatical x pessoa que pensa e age segundo sua realidade) está justamente falando de um dos problemas mais recorrentes no currículo de muitas escolas.


Muitas avaliações cobram memorização e reprodução do conhecimento. Estamos na Era do Google, não precisamos acumular informações. Precisamos pensar reflexivamente sobre elas. Saber como usá-las. Admiro avaliações que apresentam boas perguntas e fazem o aluno pensar e refletir sobre o que aprendeu. Algo que, por certo, seria resultado da prática reflexiva. Pensar dá trabalho, já sabemos. Muitos alunos têm preguiça de pensar. Não gostam de perguntas difíceis. 



Uma experiência não tão bem sucedida 


Certa ocasião, na extinta 7a. série, quando mudei para uma escola particular, com um currículo conteudista, fui obrigada a aplicar os conteúdos de gramática em frases soltas na prova. (Engraçado pensar como todas as experiências da nossa vida são importantes...).


Percebendo o baixo desempenho da minha colega na disciplina, empenhei-me em explicar a ela o conteúdo "Orações Subordinadas Adverbiais". Estudei para poder explicar (olha aí a tal ação que se espera do sujeito...). O que aconteceu? Eu tirei dez e ela uma nota ainda insatisfatória. Pensei duas coisas: "Nossa, empenhei-me no estudo e fui bem!" e "Puxa, não soube ensiná-la direito!"


Afirmo: 1) Eu aprendi o conteúdo para conseguir ensinar: essa foi a fórmula do meu bom desempenho na avaliação. 2) não é possível ensinar se o outro não quer aprender. 3) não ensino; verbalizo meus saberes. 

Melhor que dar respostas, é fazer perguntas. Ou seja, apenas reproduzir um saber, não garante que o meu aluno aprenda. O que eu quero do meu aluno?Como quero formá-lo? Um mero reprodutor do conhecimento? Ou um ser que pensa, reflete e questiona? 



Gramaticando na prática...


Por isso, Gramaticando trará artigos semanais relacionando a gramática e a realidade; a gramática e a produção textual. Buscarei as questões mais apropriadas aos conteúdos. 


Espero que aproveitem!

Marilisa Cardoso