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Figuras de linguagem: assonância e aliteração





As Figuras de Linguagem promovem a interpretação profunda de um poema.






Às vezes é cansativo falar de análise e classificação em poesia, quando se pode ler e deleitar-se com um poema ou texto sem ficar pensando nas tais Figuras. Será que um poeta sempre pensa nas figuras de linguagem antes de construir livremente seus lindos poemas? Dependendo do objetivo dele, sim.

A verdade é que a teoria existe e não podemos fugir de suas exigências. Sou daquelas professoras que é avessa a memorizações de nomes, mas preza pelo entendimento e aplicação do conceito. Por isso, gosto do Enem, que, muitas vezes, descreve o conceito e exige apenas a interpretação dele no poema ou texto.

Para quem está em fase de vestibular e exames, saber as nomenclaturas, entender e aplicá-las  é estar na frente de outros candidatos. Falo hoje sobre as figuras de assonância e aliteração.

A aliteração trata da repetição de sons de consoantes no poema. Essa repetição tem uma função sonora no poema. O efeito sonoro está ligado ao sentido. Criei um poema com função sonora:

Coceira

Caça a coceira
Coça, coça.

Caça a coceira
Coça, coça.

A coceira não passa.
'Que tanto coças?'

Enquanto caçoa,
Coce minhas costas?


                         Marilisa Cardoso


No poema acima, repeti o som de "s", presente nas letras "c", "ç", "s" e "ss". Essa repetição lembra o próprio barulho da coceira, o que intensifica a ação de coçar focada no poema.

A assonância é a repetição do som das vogais no poema também atendendo a uma função semântica. 




A onda

a onda anda
aonde anda 
       a onda?
a onda ainda 
ainda anda
ainda anda
        aonde?
aonde?
a onda a onda



                       (Manuel Bandeira)
Note que os fonemas das vogais compõem o efeito sonoro que está atrelado ao conteúdo do poema. A estrutura (forma) também lembra uma onda.

Concluindo...

As figuras de linguagem assonância e aliteração estão relacionadas ao som dos poemas.