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Tese: um posicionamento do sujeito




Na prática pedagógica, insisto na elaboração da tese no texto dissertativo-argumentativo. Minha maior alegria é ver que insistir e ser exigente nesse aspecto pode render excelentes produções.







Reafirmando a intrínseca relação leitura/escrita, constato, após alguns anos de magistério, que os alunos que não têm interesse na leitura são resistentes na hora de produzir textos e, quando produzem, não seguem os padrões do gênero. Sim, pois uma prática está ligada a outra. Só escreve bem um texto dissertativo-argumentativo quem tem "conteúdo" e posicionamento formado frente questões polêmicas da sociedade.

Utilizo conteúdo entre aspas, pois considero-o como nosso repertório de leitura, de acordo com a fase em que estamos vivendo, dependendo do objetivo desta prática: ler por prazer, por estudo, por  interesse pelo assunto, entre outros. Posicionar-se significa colocar-se no mundo como sujeito que pensa e faz a diferença na sociedade em que vive. Que pode agir e propor mudanças diante das questões polêmicas que se colocam no centro das discussões sociais.

Somos bombardeados diariamente pela mídia por argumentos e mais argumentos relacionados a temas que se destacam e dão audiência. Argumentos, todos temos. Mas o que muitas vezes não fica claro é o fato anterior aos argumentos: a tese. Pois bem, na prática, os alunos sequer conseguem entender que uma tese deve apresentar sujeito, verbo e complemento e sentem muita dificuldade em elaborá-la. Sequer conseguem perceber que ela pode ser refutada, criando-se, então, um contra-argumento. Isso porque são maus leitores ou vão pela onda popular, pelo que escutaram - não sabem de quem - dizer algo sobre o assunto. Sobre isso, alguns problemas se apresentam, como mostro a seguir.

Muitos textos que leio apresentam um conteúdo apenas dissertativo. Ou seja, aquele que fala sobre o tema, mas não apresenta qualquer aprofundamento ou ponto de vista em relação ao problema tratado. O aluno, muitas vezes, não percebe a questão polêmica que leva à reflexão do tema. Por exemplo, este texto que escrevo trata da leitura e produção do texto dissertativo-argumentativo na escola e apresento o seguinte problema: muitos alunos têm dificuldades em elaborar uma tese (?). Se questionar esta proposição, obterei um sim ou um não, o que me dá direcionamento para defender um ou outro lado.

Ora, para chegar ao sim ou não, utilizados em debates, é necessário que o enunciado tenha estrutura completa com sujeito, verbo e complemento, pois, usando o mesmo exemplo acima, podemos ter: 'muitos alunos têm dificuldade em elaborar uma tese' ou, 'muitos alunos não têm dificuldades em elaborar uma tese'. Já diz a Psicanálise que o sujeito só se torna sujeito quando enuncia o verbo. O verbo é a ação, é o estado, é a forma do sujeito se colocar no mundo. Se ele não se coloca e tenta intervir no problema, fica apenas como um mero reprodutor de outras falas já existentes na sociedade.

Planejar um texto é, antes de tudo, refletir sobre o tema e observar o problema que se coloca diante da discussão apresentada. Muitos alunos resistem em fazer o planejamento, ou seja, sintetizar os pensamentos para partir para a escrita e análise das propostas. A tese parte de um problema. Refletir e estar antenado com argumentos sociais é muito importante, principalmente se as leituras forem de fontes e autores renomados, como jornais, revistas, sites e blogs confiáveis. E que bom se você discordar, como apresenta a propaganda do jornal Folha de São Paulo, sinal que você tem um posicionamento formado sobre o tema e não segue os veículos de comunicação que também podem ser tendenciosos.

Um bom texto dissertativo-argumentativo parte de uma tese bem elaborada. Já que o objetivo maior desses textos é convencer o leitor de que o ponto de vista do autor está correto, então é preciso saber o que se está propondo em produções com essa estrutura. Um estudante com objetivo de passar em um exame renomado deve ficar ligado nos temas polêmicos que circulam na sociedade.