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Leitura e análise: Viagens na minha Terra (II)



No meio destas disceptações acadêmico-literárias vem o autor a descobrir que para tudo é preciso ter fé neste mundo. [...] O italiano tinha fé em Deus, o alemão no ceticismo, o português na sina pátria. É preciso crer em alguma coisa para ser grande - não só poeta -, grande seja no que for.


06 de setembro de 2013.


Avanço em minha leitura. Não tanto quanto gostaria. Mas continuo envolvida nas crônicas de Garrett. Como era culto e viajado este escritor. Faço algumas anotações das obras e autores e poetas citados. Quero adquirir um pouco que seja da cultura que ele expressa nesta obra: Divina Comédia, Hamlet, Ilíada, Os Lusíadas... Tenho tanto a ler e reler, enfim. Resta-me encontrar mais tempo para a leitura.

Busco os clássicos, nossos grandes psicanalistas. SIM, há mais questionamentos do que os propostos pelos clássicos? NÃO. Trazem perguntas, não respostas. Trazem dúvidas, não certezas. Não há certezas! De respostas e receitas prontas o mundo está cheio! E o autor cita Hamlet, de Shakespeare:

Há mais coisas no céu, há mais na terra,
do que sonha a tua vã filosofia.

Após a primeira parada com os seus companheiros em Vila Nova da Rainha, quando terminamos o último artigo, o autor e narrador segue viagem, chegando ao pinhal de Azambuja, demonstra sua decepção:

Este é que é o pinhal de Azambuja?
Não pode ser. 
[...] 
Isto não pode ser! Uns poucos de pinheiros raros e enfezados, através dos quais se estão quase vendo as vinhas e olivedos circunstantes! (p. 39 a 41)

 


Ele mostra sua decepção e faz suas digressões por entre as descrições "realistas" e nada românticas dos pequenos e fracos pinhais de Azambuja que encontra. Como disse, no último post, as "viagens", presentes no título, representam as jornadas mentais e sentimentais, reflexões e críticas, o pensamento livre de um conhecedor de seu tempos a reboque de uma viagem de pedaços simbólicos de um país a habitar as ruínas do que foi.


Piquemos para o Cartaxo, que são horas. 
[...]
Chegada a este mundo e ao Cartaxo. (p. 43-44)

     Seguem com suas mulas ao Cartaxo. Lá segue uma fértil reflexão sobre o café de Cartaxo:

... como nós nos sentamos nas duras e ásperas tábuas das esguias banquetas mal sarapintadas, que ornam o magnífico estabelecimento bordalengo. 
[...]
Pendem do teto laboriosamente arrendados por não vulgar tesoura os pingentes de papel, convidando a lascivo repouso a inquieta raça das moscas... (p.52-53)


   

Além do percurso físico, o percurso crítico é sempre esmiuçado pelo nosso querido narrador. Vejam a que reflexões nos convida a fazer:

No meio destas disceptações acadêmico-literárias vem o autor a descobrir que para tudo é preciso ter fé neste mundo.
[...]
O italiano tinha fé em Deus, o alemão no ceticismo, o português na sina pátria. É preciso crer em alguma coisa para ser grande - não só poeta -, grande seja no que for.

Saíram de Cartaxo e chegaram, enfim, ao Vale de Santarém. Vamos acompanhar a continuação desta história?

Acompanhe a continuação do Diário de leitura em Leitura e análise: Viagens na minha terra (III)
Espero por você, leitor!