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Leitura e análise: Viagens na minha terra (III)



Chega-se ao Vale de Santarém. "Entra-se, enfim, na prometida história. (...) Como hei de eu então, eu, que nesta grave Odisseia das minhas viagens tenho de inserir o mais interessante e misterioso episódio de amor que ainda foi contado, ou cantado".

Almeida Garrett



11 de setembro de 2013


Na chegada a Santarém, do relato do autor passa-se ao encontro com a menina dos rouxinóis... Mas quem é a menina dos rouxinóis? Quem é a menina que ele avista na janela? A menina dos olhos verdes...

- Verdes os olhos... dela, do vulto da janela?
- Verdes como duas esmeraldas orientais, transparentes, brilhantes, sem preço.
- Quê! Pois realmente? ... É gracejo isso, ou realmente há ali uma mulher bonita, e? (...)
- É a janela dos rouxinóis. 
- Que lá estão a cantar. (...)
- A menina dos rouxinóis! Que história é essa? Pois deveras tem uma história aquela janela?

Enfim, ele começa a história de uma velha e sua neta, Joaninha, a menina dos rouxinóis

Aprecio as descrições do autor durante a leitura da obra. Gosto da forma como ele escreve, a linguagem que usa e os caminhos que percorre na escrita. Tanto me interesso que vou em busca de novas informações sobre o livro! Quero saber sobre os aspectos que permeia a obra: História, política, biografia do autor. A obra não está solta. Faz parte de um contexto e agora que estou engajada na leitura quero saber mais. O "projeto" me cativou e agora vou em busca de mais leituras que possam me ajudar no entendimento aprofundado da obra e do romance que agora ele começa.

O que está realmente acontecendo em Portugal na época em que a obra foi escrita? Quem foi e como viveu Almeida Garrett? Qual a relação entre o Romantismo Português e a obra? Qual o contexto da obra? Quero um aprendizado significativo, que parte do interesse da leitora aqui. Essas perguntas não querem calar e como a internet nos dá a facilidade da pesquisa, vou em busca de respostas.

Decidi que quero ler muitos clássicos e fazer grandes pesquisas acerca deles! Decidi e quero me aprofundar nos feitos dos grandes autores. Dos autores consagrados. A Literatura é um campo sem fim. É um campo cheio de possibilidades! 

Voltemos ao livro... (perdão, gosto de fazer digressões como Garrett)

Encontro em Joaninha uma moça meiga e amável com a avó. Moram no campo. E quem, outrora, aparece para visitá-las? Frei Dinis.

É frei Dinis (...) a figura seca, alta e um tanto curvada de um religiosos franciscano (...) o austero guardião de São Francisco de Santarém.

Personagem forte e marcante agora entra na história com um ar de mistério. Não sabemos certamente o que envolve este personagem. Havemos de saber durante o romance?

A velha Francisca é incapaz de fazer algo. Vejam!

A velha queria dizer mais; as angústias que se tinham estado juntando naquela alma, que por fim não podia mais e transbordava, queriam sair todas, queria derramar-se ali em lágrimas e soluços na presença o seu Deus...

Frei Dinis contemplou-a alguns momentos nesse estado e pareceu comover-se; mas aqueles nervos eram fios de ferro temperado que não vibravam a nenhuma suave percussão. 

Há vários mistérios e questões que o autor levanta em relação ao frade.

Como e por que deixara ele o mundo? Como e por que, um espírito  tão ativo e superior se ocupava apenas do obscuro encargo de guardião do seu convento - cargo que aceitara por obediência -, e quase que limitava as suas relações fora do claustro àquela casa do vale, onde não se via senão aquela velha e aquela criança?

Sigo a leitura adiante. Vi que o frade deixara sua riqueza à velha Francisca e foi ser guardião do convento, como que por obediência. Durante a leitura, observo que ele está sempre muito próximo da casa do vale.

Surge, agora, um novo personagem: Carlos. Quem seria? Qual a importância dele neste romance?

Isso será um assunto para o nosso próximo post! Até lá!