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Leitura e análise: Viagens na minha terra (I)






Proponho que compremos as passagens para Viagens na minha terra
A todos, boas viagens!




Dia 03 de setembro de 2013.

       Comecei a ler com pouco entusiasmo o romance de Garrett, mas logo estava envolvida no relato deste grande autor. Faço a releitura, como disse Ítalo Calvino, citado no artigo de ontem, com a simples necessidade de ler para analisar e me aprofundar no famoso feito de Garrett, a obra do Romantismo Português "Viagens na minha terra".



        E com o que me deparo? (agora passo a uma leitura vívida e voraz)



        Com um romance multifacetado. Porque traz romance, crônica, relato; realidade e ficção; geografia, deslocamentos físico e mental do narrador; citações, intertextualidade; digressões e muitas outras riquezas que a literatura pode nos oferecer! "Me empolguei", coloquialmente falando.



        Foi sempre ambiciosa a minha pena: pobre e soberba, quer assunto mais largo. Pois hei de dar-lho. Vou nada menos que a Santarém; e protesto que de quanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há de fazer crônica.



         Toma a decisão da viagem! A viagem real, do deslocamento que realmente aconteceu, de Lisboa para Santarém. E as "viagens", como no título, representam as reflexões do narrador que permeiam toda a pequena viagem de apenas 80 km. Vejam:





      Uma viagem que para nós levaria uma hora, aproximadamente, para ele rendeu muitas páginas e reflexões: 


     Estas minhas interessantes viagens hão de ser uma obra-prima, erudita, brilhante de pensamentos novos, uma coisa digna do século.

[...]

      É um mito, porque - porque... Já agora rasgo o véu e declaro abertamente ao benévolo leitor a profunda ideia que está oculta desta ligeira aparência de uma viagenzita que parece feita a brincar...

      É profunda também a reflexão que faz acerca da obra de Cervantes, autor de D. Quixote) e a analogia ao Progresso:

     Descobriu ele (Cervantes) que há dois princípios no mundo: o espiritualista, que marcha sem atender à parte material e terrena desta vida (...) e que pode bem personalizar-se, simbolizar-se pelo famoso mito do Cavaleiro da Mancha, D. Quixote. -- o materialista, que, sem fazer caso nem cabedal dessas teorias, em que  não crê e cujas impossíveis aplicações declara todas utopias, pode bem representar-se pela rotunda e anafada presença do nosso amigo velho, Sancho Pança.
   Mas como na história do malicioso Cervantes, estes dois princípios tão avessos, tão desencontrados, andam contudo juntos sempre, ora um mais atrás, ora outro mais adiante, empecendo-se muitas vezes, coadjuvando-se poucas, mas progredindo sempre.


     E continua a falar sobre o progresso que propôs a discutir em sua obra:



     Ora nesta minha viagem Tejo arriba está simbolizada a marcha do nosso progresso social: espero que o leitor entendesse agora. Tomarei cuidado de lho lembrar de vez em quando, porque receio muito que se esqueça.



     O obra representa também as impressões do autor sobre Portugal. As reflexões e críticas, observadas pelas descrições presentes, relacionadas também ao país em fase decadente.



     Somos chegados ao triste desembarcadouro de Vila Nova da Rainha, que é o mais feio pedaço de terra aluvial em que ainda pousei os meus pés.



     A grande questão que permeia a obra pode ser: o que é que falta a Portugal?



     Vamos tentar respondê-la durante a leitura do livro?




Caso não tenha o livro, seguem os links para acesso à obra digitalizada



Continuação do diário de leitura em Leitura e análise: Viagens na minha terra (II). Espero você, caro leitor!