Por que ler os clássicos?

Começo este artigo com uma definição de Ítalo Calvino em "Por que ler os clássicos?"


1. Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo... " e nunca "Estou lendo... ".


Isso acontece pelo menos com aquelas pessoas que se consideram "grandes leitores"; não vale para a juventude, idade em que o encontro com  o mundo e com os clássicos como parte do mundo vale exatamente enquanto primeiro encontro.

O prefixo reiterativo antes do verbo ler pode ser uma pequena hipocrisia por parte dos que se envergonham de admitir não ter lido um livro famoso. Para tranquilizá-los, bastará observar que, por maiores que possam ser as leituras "de formação" de um indivíduo, resta sempre um número enorme de obras que ele não leu.

Isso confirma que ler pela primeira vez um grande livro na idade madura é um prazer extraordinário: diferente (mas não se pode dizer maior ou menor) se comparado a uma leitura da juventude. A juventude comunica ao ato de ler como a qualquer outra experiência um sabor e uma importância particulares; ao passo que na maturidade apreciam-se (deveriam ser apreciados) muitos detalhes, níveis e significados a mais. Podemos tentar então esta outra fórmula de definição:

2. Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira vez nas melhores condições para apreciá-los.

Portanto, usar o verbo ler ou o verbo reler não tem muita importância. De fato, poderíamos dizer:

4. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira
5. Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.


                                 Fonte: CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Cia das Letras: São Paulo, 1994.

Boa leitura (ou releitura) a todos nós! Abaixo, a lista Fuvest 2019 com algumas sugestões de clássicos!
  • Iracema - José de Alencar; 
  • Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis; 
  • O cortiço - Aluísio Azevedo; 
  • A relíquia - Eça de Queirós; 
  • Minha vida de menina - Helena Morley; 
  • Vidas secas - Graciliano Ramos; 
  • Claro enigma -  Carlos drummond de Andrade;
  • Sagarana - João Guimarães Rosa;
  • Mayombe - Pepetela

Também, a lista Unicamp 2019! 

Poesia:
Luís de Camões, Sonetos .
Jorge de Lima, Poemas Negros (Livro distribuído pelo governo federal no PNBE).
Ana Cristina Cesar, A teus pés.
Contos:
Clarice Lispector, Amor, do livro Laços de Família.
Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga, do livro Sagarana.
Machado de Assis, O espelho.
Teatro:
Dias Gomes, O bem amado .
Romance:
Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago (Livro em domínio público).
Érico Veríssimo, Caminhos Cruzados (Livro distribuído pelo governo federal no PNBE).
José Saramago, História do Cerco de Lisboa.
Diário: Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo (Livro distribuído pelo governo federal no PNBE).
Sermões:
Antonio Vieira
(1) Sermão de Quarta-feira de Cinza – Ano de 1672;
(2) Sermão de Quarta-feira de Cinza – Ano de 1673, aos 15 de fevereiro, dia da trasladação do mesmo Santo;
(3) Sermão de Quarta-feira de Cinza – Para a Capela Real, que se não pregou por enfermidade do autor.
Fonte:https://www.comvest.unicamp.br/unicamp-divulga-lista-de-livros-valida-para-o-vestibular-2019/

Marilisa Cardoso