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Comparação entre textos


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Qual a diferença entre relacionar e comparar? À primeira vista, comparar parece relacionar.  Neste artigo, destacamos uma das operações mais solicitadas nas provas de interpretação: a comparação.


A grande verdade é que comparar e relacionar são ações muito parecidas e próximas. 
Posso falar que relação é uma forma de comparação e as duas são uma forma de análise. Ler é analisar. Então não foco o presente texto na diferença entre as duas ações acima citadas, mas na análise, necessária em qualquer leitura. 

Sabe-se que a análise procura decompor e expandir um elemento, aumentando suas partes em um processo analítico do pensamento. Processo contrário ao da análise é o da síntese, que tem por objetivo resumir e diminuir os elementos em um processo sintético do pensamento. 

Ora, a relação e a comparação dependem de uma rede de saberes intra e extra-textuais que adquirimos ao longo da vida, como a hipótese, por exemplo, criada a partir de elementos concretos. A dedução ou suposição, que acontecem no campo das ideias. Enfim...

Vamos para a prática?

Questão do Enem 2012
 
Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos: 

a) Condenam essa regra gramatical.
b) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
c) Criticam a presença de regras na gramática.
d) Afirmam que não há regras para uso de pronomes.
e) Relativizam essa regra gramatical.

Partindo para a leitura dos textos:

(ENEM) O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo.



Pronominais


Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.


(ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1988.)


“Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala dos personagens (...)”.


(CEGALLA. Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.)


Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos:


a) Condenam essa regra gramatical.
b) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
c) Criticam a presença de regras na gramática.
d) Afirmam que não há regras para uso de pronomes.
e) Relativizam essa regra gramatical.
 
Sabendo das alternativas, vamos encontrar justificativas para eliminar as incorretas:

a) Condenam essa regra gramatical.
Não, eles falam em que situações é possível não obedecer à regra.

b) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
Não é possível fazer essa dedução, pois os dois textos falam das situações de uso/não uso da regra dos pronomes.

c) Criticam a presença de regras na gramática.
Não há crítica. Há descrição de situações em que ocorrem exceções à regras (na linguagem informal, por exemplo).

d) Afirmam que não há regras para uso de pronomes.
Incorreta, afirmam que há regras, mas há também exceções, dependendo do contexto.


e) Relativizam essa regra gramatical.


Podemos considerar que a alternativa “e” efetivamente se aplica aos requisitos expressos pelo enunciado, visto que, segundo a opinião de ambos os autores, as regras são aplicáveis e comuns aos usuários, sem dúvida, mas que, no entanto, o próprio contexto, a própria circunstância é que determina o uso delas.

Com base nesta questão, o estudante deve analisar cada um dos textos, identificar e comparar as principais informações de cada um. Aproximar os dois textos e perceber diferenças e semelhanças entre eles, por exemplo.

Nos dois textos acima, se observarmos as fontes abaixo de cada um já encontramos pistas para estabelecer uma comparação.

Diferenças:
Um é poema e outro é um texto expositivo (explicativo), por isso apresentam formas e finalidades comunicativas diferentes.

Semelhanças:
O tema da regra gramatical do uso de pronomes é semelhante. Os dois abordam o uso do pronome átono no início da frase e em que situações é possível não seguir a regra ditada pela gramática.

Concluindo...

Por isso, temos que a comparação mobiliza uma série de processamentos cognitivos para realizar a interpretação dos elementos que estão sendo comparados. Basta que o leitor observe, identifique e analise cada um destes elementos para fazer uma comparação adequada, atendendo aos critérios exigidos pela questão.

Respostas das questões propostas no artigo Relacionar textos: 106 - E | 108 - A.