Comparação entre textos


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Qual a diferença entre relacionar e comparar?...
 À primeira vista, comparar parece relacionar.  Neste artigo, destacamos uma operação muito solicitada nas provas de interpretação: a comparação.

A grande verdade é que comparar e relacionar são ações muito parecidas e próximas. 
Posso falar que relação é uma forma de comparação e as duas são uma forma de análise ou de síntese entre os elementos comparados. Ler é analisar e também sintetizar!

Sabe-se que a análise procura decompor e expandir um elemento, aumentando suas partes em um processo analítico do pensamento. Processo contrário ao da análise é o da síntese, que tem por objetivo resumir e diminuir os elementos em um processo sintético do pensamento. 

Ora, a relação e a comparação dependem de uma rede de saberes intra e extra-textuais que adquirimos ao longo da vida, como a hipótese, por exemplo, criada a partir de elementos concretos. A dedução ou suposição, que acontecem no campo das ideias. Enfim...

Vamos para a prática?

O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo.


Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática

Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
(ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1988.)

“Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala dos personagens (...)”.
(CEGALLA. Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.)
 
Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos: 

a) Condenam essa regra gramatical.
Não, eles falam em que situações é possível não obedecer à regra.

b) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
Não é possível fazer essa dedução, pois os dois textos falam das situações de uso/não uso da regra dos pronomes.

c) Criticam a presença de regras na gramática.
Não há crítica. Há descrição de situações em que ocorrem exceções à regras (na linguagem informal, por exemplo).

d) Afirmam que não há regras para uso de pronomes.
Incorreta, afirmam que há regras, mas há também exceções, dependendo do contexto.


e) Relativizam essa regra gramatical.


Correta, pois mostram que não há exatidão nas regras e usos gramaticais. Tudo depende do contexto de produção da fala (formal ou informal).

Com base no comando, o estudante deve encontrar um ponto em comum entre os textos: 

Diferenças: 
Um é poema e mostra a prática linguística e outro é um texto expositivo sobre o conceito teórico, por isso apresentam formas e finalidades comunicativas diferentes.

Semelhanças:
Os dois abordam o uso do pronome átono no início da frase e em que situações é possível não seguir a regra ditada pela gramática (informalidade).

Concluindo...
Por isso, temos que a comparação mobiliza uma série de processamentos cognitivos para realizar a interpretação dos elementos que estão sendo comparados!

Quem gostou deste texto, também leu Expressões da linguagem: texto verbal e texto não verbal.

                                                                               Marilisa Cardoso