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Vidas Secas: leitura obrigatória (Parte III)

                                                                                                                    

Este é um guest post de Paola M. de Oliveira. Com suas reflexões acerca da obra de Graciliano Ramos, ela traz mais algumas contribuições sobre o tema da seca.




O ser humano em sua forma mais bruta: o animal

     A obra literária "Vidas Secas",  escrita por Graciliano Ramos, retrata a história de uma família que parece carregar o fardo de fugir da seca. Fabiano, Sinhá Vitória e seus filhos, logo no início, precisam se alimentar do próprio papagaio para a sobrevivência naquele mórbido ambiente. Este e outros fatores conduzem a narração para a desumanização dos homens que vivem na seca do sertão.

     O animal da família é uma cachorra, a Baleia. Não por acaso, ela tem o nome um mamífero aquático, que vive em plena seca. Água é vida e a Baleia tem vida, tem sentimentos, tem nome, diferentemente dos filhos de Fabiano que sequer possuem nomes ou identidades. Devido a isso, o capítulo de sua morte é o mais tocante de todo o livro, em que uma realidade muito cruel é descrita através de brilhantes comparações e metáforas. 

     Uma característica marcante na obra é a narração em terceira pessoa, que se explica pela ignorância das personagens, incapazes de formular frases, como se fossem animais. Não existem diálogos longos, a não ser no capítulo "Fuga", que sugere uma mudança. Ao longo da história eles apenas urram ou fazem sons. Não conseguem expressar o que pensam, mostrando extrema dificuldade em se relacionar com outras pessoas.

     Na passagem em que a família vai à festa na cidade, as discrepâncias entre eles e aqueles que são civilizados ficam escancaradas. Este fato enfatiza a desumanização dos pobres seres que vêm da seca e agem como animais acuados em meio a tantas pessoas. Por outro lado, a cachorrinha, que estava sumida, devia estar se divertindo com toda aquela gente.

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    Essa obra possui, portanto, um claro diferencial: toca os seres humanos por sua extrema humanidade em um ambiente desumano. Pode parecer inaceitável, mas ficou evidente que essa é uma realidade... Dolorida e seca.