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Uma conversa sobre competências e habilidades


Você vai aprender um pouco mais sobre competências e habilidades. Veja se você consegue perceber as diferenças entre elas.






Alguns autores não separam as concepções de competência e habilidade, como é feito na estruturação das avaliações externas, como o Enem, por exemplo. 

A noção de competência refere-se à capacidade de compreender uma determinada situação e reagir adequadamente frente a ela, estabelecendo uma avaliação dessa situação a fim de atuar da melhor maneira possível. A competência relaciona-se ao “saber fazer algo”, que, por sua vez, envolve uma série de habilidades.(ALESSANDRINI; 2002: 164)

A palavra habilidade, que vem do latim habilitas, significa “aptidão, destreza, disposição para alguma coisa” (SARAIVA, 1993:  539). Ou seja, “notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual geral, aptidão específica, pensamento criativo ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para artes e capacidade psicomotora” (FERREIRA, 1999: 1024).

A competência implica uma certa concorrência entre diferentes elementos presentes em uma situação-problema, por exemplo, e pode manifestar-se por intermédio da aptidão para resolvê-los, ou seja, de habilidades que expressam a capacidade que o indivíduo possui para encontrar uma solução para a questão que se apresenta a ele.

ALESSANDRINI (2002:164) coloca que a competência manifesta-se em um conjunto, por meio da articulação de diversas habilidades. Durante o processo de equilibração – entre os conhecimentos que a pessoa já possui e os novos conhecimentos –, a competência representa o resultado do diálogo entre habilidades e aptidões que possuímos, as quais acionamos para buscar um novo patamar de equilíbrio quando entramos em desequilíbrio, pois há uma transformação a ser processada.

Segundo MACHADO (2002: 144), tendo em vista a composição da Matriz de Referências do ENEM, professores de todas as disciplinas ou temas do Ensino Médio reuniram-se e tentaram explicitar o que buscavam desenvolver por meio de suas disciplinas e de seus programas, considerando a formação pessoal de um aluno, ao final da educação básica. Cerca de trinta profissionais da área chegaram a um espectro de cinco competências fundamentais enunciadas de modo sintético, das quais apresentamos três, elencadas pelo autor, apenas para exemplificar:

·         capacidade de expressão em diferentes linguagens;
·         capacidade de compreensão de fenômenos físicos, naturais e sociais;
·     capacidade de referir os conceitos disciplinares e contextos específicos, enfrentando situações-problema.

O autor (op. cit.: 144) considera que, aproximando essas competências gerais no âmbito do Ensino Médio, buscou-se, explicitar suas formas de manifestação. Assim, as formas de realização das competências foram chamadas de habilidades. Por exemplo, a competência “capacidade de compreensão de fenômenos físicos naturais e sociais” foi traduzida em um feixe de habilidades que inclui, entre outras, “a compreensão da relevância, do significado do ciclo da água para a manutenção da vida”.


As avaliações de leitura: competências e habilidades

Nas avaliações externas como o ENEM, as questões são elaboradas com o intuito de verificar as competências e habilidades leitoras que os alunos possuem, a partir dos conteúdos das disciplinas ou temas abordados no percurso de ensino.

Segundo GANDOLFI (2005: 26), a avaliação da compreensão leitora, de maneira análoga a seu desenvolvimento, não é – ou ao menos não deveria ser – uma tarefa exclusiva da área de Língua, mas diz respeito a todas as áreas curriculares. Tampouco se trata de “aprovar” ou “reprovar” os alunos, mas sim de uma atividade constante na escola.

Na Matriz de Língua Portuguesa, encontramos exemplos de questões elaboradas para verificar as competências de leitura dos alunos. Vejamos um exemplo de questão do Saeb com o descritor identificar o tema do texto

A PARANOIA DO CORPO

Em geral, a melhor maneira de resolver a insatisfação 
com o físico é cuidar da parte emocional.

LETÍCIA DE CASTRO
Não é fácil parecer com Katie Holmes, a musa do seriado preferido dos teens, Dawson's Creek ou com os galãs musculosos do seriado Malhação. Mas os jovens bem que tentam. Nunca se cuidou tanto do corpo nessa faixa etária como hoje. A Runner, uma grande rede de academias de ginástica, com 23 000 alunos espalhados em nove unidades na cidade de São Paulo, viu o público adolescente crescer mais que o adulto nos últimos cinco anos. “Acho que a academia é para os jovens de hoje o que foi a discoteca para a geração dos anos 70”, acredita José Otávio Marfará, sócio de outra academia paulistana, a Reebok Sports Club. "É o lugar de confraternização, de diversão."
É saudável preocupar-se com o físico. Na adolescência, no entanto, essa preocupação costuma ser excessiva. É a chamada paranoia do corpo. Alguns exemplos. Nunca houve uma oferta tão grande de produtos de beleza destinados a adolescentes. Hoje em dia é possível resolver a maior parte dos problemas de estrias, celulite e espinhas com a ajuda da ciência. Por isso, a tentação de exagerar nos medicamentos é grande. "A garota tem a mania de recorrer aos remédios que os amigos estão usando, e muitas vezes eles não são indicados para seu tipo de pele”, diz a dermatologista Iara Yoshinaga, de São Paulo, que atende adolescentes em seu consultório. São cada vez mais freqüentes os casos de meninas que procuram um cirurgião plástico em busca da solução de problemas que poderiam ser resolvidos facilmente com ginástica, cremes ou mesmo com o crescimento normal. Nunca houve também tantos casos de anorexia e bulimia. "Há dez anos essas doenças eram consideradas raríssimas. Hoje constituem quase um caso de saúde pública”, avalia o psiquiatra Táki Cordás, da Universidade de São Paulo.
É claro que existem variedades de calvície, obesidade ou doenças de pele que realmente precisam de tratamento continuado. Na maioria das vezes, no entanto, a paranoia do corpo é apenas isso: paranoia. Para curá-la, a melhor maneira é tratar da mente. Nesse processo, a auto-estima é fundamental. “É preciso fazer uma análise objetiva e descobrir seus pontos fortes. Todo mundo tem uma parte do corpo que acha mais bonita”, sugere a psicóloga paulista Ceres Alves de Araújo, especialista em crescimento. Um dia, o teen acorda e percebe que aqueles problemas físicos que pareciam insolúveis desapareceram como num passe de mágica. Em geral, não foi o corpo que mudou. Foi a cabeça. Quando começa a se aceitar e resolve as questões emocionais básicas, o adolescente dá o primeiro passo para se tornar um adulto.
CASTRO, Letícia de. Veja Jovens. Setembro/2001 p. 56.


A ideia CENTRAL do texto é
(A) a preocupação do jovem com o físico.
(B) as doenças raras que atacam os jovens.
(C) os diversos produtos de beleza para jovens.
(D) o uso exagerado de remédios pelos jovens.


           Ao acertar uma questão como essa, o aluno é capaz de identificar o tema do texto e demonstra compreendê-lo globalmente. Esta habilidade, por sua vez, encontra-se no Tópico da Competência I: Procedimentos de leitura.

           Caso não tenha escolhido a letra "A" na questão acima, pense em como pode melhorar suas competências e habilidades de leitura!

Assista a uma aula sobre este tema. Clique aqui.

Referências bibliográficas

ALESSANDRINI, Cristina Dias. O desenvolvimento de competências e a participação pessoal na construção de um novo modelo educacional. In: PERRENOUD, Philippe. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: ArtMed, 2002.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

GANDOLFI, Giselda. Compreensão leitora: a compreensão como conteúdo de ensino. São Paulo: Moderna, 2005.

MACHADO, Nilson José. Sobre a idéia de competência. In: PERRENOUD, Philippe. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: ArtMed, 2002.

Escrito por Marilisa Cardoso Bernardi