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Quanto mais conhecimento, melhor é a compreensão




Você vai aprender a importância dos conhecimentos para compreender os textos que a vida lhe impõe e, a partir daí, criar seus próprios textos.



Mark Zuckerberg criou uma importante rede social na internet, mas isso só foi possível a partir do conhecimento que já possuía e a partir de criações já existentes, como o computador e a internet. Sabemos que o conhecimento é individual e cumulativo e pode ser construído de diferentes maneiras ao longo da vida. É como um computador em que há armazenamento e processamento de dados de acordo com as necessidades do seu usuário. E você, já parou para pensar de que maneira você usa seus conhecimentos no seu dia a dia?

Passando para o âmbito educacional, todo ano, quando são divulgados os resultados do ENEM, vemos uma dinâmica se repetir: o desempenho dos colégios particulares se sobressai ao das escolas públicas. Salvos os casos das chamadas escolas públicas de referência, pouco representativos na rede pública de ensino.  Alunos com melhor desempenho certamente têm mais acesso ao conhecimento: amplo conteúdo programático nas escolas, acesso à informação de maneira diversificada (livros, internet, revistas, jornais), atividades de lazer e cultura mais intensas (viagens e passeios culturais), cursos extracurriculares, intercâmbio cultural e outros exemplos.

Não há dúvidas de que, quanto maior o acesso ao conhecimento, maior o nível de interação com o texto. Meu professor Dr. Luiz Antonio Ferreira (PUC-SP) dizia que carregamos uma bagagem de conhecimento que pode ser chamada de “repertório de leitura” ou “biblioteca” pessoal. 


Vamos para a prática?


Conhecimento linguístico

Observe a tirinha abaixo, retirada de uma questão do ENEM 2011:

Veríssimo, L. F. As cobras em: Se Deus existe, que seja atingido por um raio. Porto Alegre: L&PM, 1997.

"Para compreender o texto, não basta saber ler e entender as palavras, tem de saber que o humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto." Ou seja, se eu não tiver domínio da norma padrão da língua e não souber o que é e qual é o pronome, não vou perceber que “Vamos arrasar eles”, no segundo quadrinho, está escrito de maneira incorreta, segundo a gramática normativa.

Conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo

          Encontra-se armazenado na memória de longo prazo, também denominada semântica social. Pelo meu conhecimento de mundo, em linhas gerais, sei que a cobra é um ser vivo irracional que possui veneno e ataca para se alimentar ou se defender – aqui, um biólogo certamente teria conhecimentos mais específicos. De modo conotativo, associamos a cobra a uma pessoa maldosa, que profere palavras sem se preocupar com o julgamento ou sentimento do outro. Na tira, ao contrário, as cobras têm características humanas, pois pensam e falam. Em pesquisa rápida, é comum em suas tiras falarem o que pensam, como na fala “Mas antes, vamos acertar o pronome”, no terceiro quadrinho. Também, tive acesso à informação de que o autor escolheu estas personagens por serem fáceis de desenhar. Vide http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5659488-EI11360,00-As+cobras.html

          Conhecimento sociointeracional

É o conhecimento sobre as ações verbais, isto é, sobre as formas de inter-ação por meio da linguagem. Por isso, saber que a tira é um gênero textual que tem por objetivo provocar o humor, já é uma forma de interação do leitor com o texto. Perceber a dinâmica que se estabelece nos três quadrinhos - convite > aceitação do convite, mas enunciado com erro gramatical > interrupção da ação verbal para correção do erro - também faz parte do nosso conhecimento sociointeracional.

Conhecimento linguístico

É preciso saber que o verbo arrasar é transitivo direto ou pode ser intransitivo, dependendo do contexto. Na tira, é VTD e, por isso, pede complemento - um objeto direto. 'Quem arrasa, arrasa algo ou alguém.' Não exigindo preposição, o uso do pronome na função sintática de objeto, só pode ser do caso oblíquo. A função sintática de sujeito cabe aos pronomes do caso reto.

Saliento que apresentei hipóteses interpretativas da tirinha com base nos meus conhecimentos, mas não há uma representação única do texto, pois as estratégias de utilização do conhecimento dependem dos conhecimentos prévios de cada um. 


Concluindo...

Na relação texto-leitor, vimos a importância dos conhecimentos prévios do leitor para a compreensão do texto e, voltando ao âmbito individual/social, a construção e a utilização do conhecimento é fundamental para atingirmos metas e objetivos na vida, ou mesmo, tornar nossos sonhos realidade! É claro que o conhecimento torna-se significativo quando a busca por ele é necessária ou quando o assunto é do nosso interesse. 

Marilisa Cardoso

Respostas das questões do artigo Gramática e ENEM: conceitos, questões e análise: Questão 119 - A; Questão 132 - B.